segunda-feira, 29 de abril de 2013

Da ausência de leitores

É de se perguntar por que não tenho leitores. Sem dúvida, minha insignificância é razão mais do que suficiente para justificar essa ocorrência. Todavia, há o fato do que digo ser indigesto para paladares delicados. Também ocorre que a verdade, assim como a honestidade não serem apreciadas, muito menos é popular, a não ser quando as mesmas tratam de coisas amenas, que não é o meu caso, que trato das coisas pequenas, mas com odores fortes. Acrescente-se ainda um estilo rústico, quase selvagem, que não busca palavras bonitas para falar de coisas feias, nem disfarça a pornografia explícita das emoções humanas. Por fim, alguns leitores tímidos, em particular, reclamam de minha temática, do meu “pessimismo” ou da minha amoralidade. Mas, a temática advém do mundo do qual sou apenas um intérprete; meu suposto pessimismo é tão somente um realismo cru e sem cozimento poético; minha amoralidade é apenas um traço sutil de certa sabedoria aprendida nos livros, que o certo é algo que se constrói e se destrói nas ações humanas, não existindo de antemão ou para sempre. Se não ter leitores não é com certeza algum tipo de mérito, não tê-los também não significa algum tipo de demérito, ou mesmo algo depreciativo. Há escritores que morrem sem terem sido lidos em vida, não por falta de méritos literários ou de conteúdo, mas por falta de mérito nos leitores de sua época e do seu local. Outros guardaram seus escritos longe do público enquanto vivos, para só depois de mortos permitirem sua publicação. No meu caso, como nem pretendo os méritos de escritor, nem considero que os leitores atuais carecem de méritos (verdade que não são os méritos desejados), nem tenho medo do público sobre o julgamento das minhas ideias, muito menos medo de publicá-las, só posso contar com o esforço próprio para expor minhas impressões a respeito da imundice humana, visto que meus amigos não as publicam nem em vida, por que publicariam depois de morto? Sei que o assunto desagrada, mas desagrada menos que a ocorrência do fato descrito, que a ocorrência das merdas diárias. Já me classificaram como um defensor de algum tipo de estética do feio ou do grotesco. Entretanto, nem defendo alguma estética, seja feia, seja bela, muito menos o grotesco; no mais das vezes nada defendo, apenas ataco. Como não há nem bem, nem belo, nem justo na descrição que faço das coisas humanas atribuem essa negatividade a mim, como se o problema existisse na exposição e não no fenômeno exposto.
Se não há leitores ou são eles mínimos, para que os escritos, me perguntam até mesmo quem não me lê, mas sabe que escrevo. Bom, é um exercício mental, o que faz me sentir diferente de uma ervilha. Por outro lado, gosto de registrar minhas impressões sobre as ocorrências, e dessa forma não gasto papel para armazená-las. Por fim, há um procedimento democrático e republicano de participar das discussões que envolvem o destino de todos ou para evitar ter que participar do destino de todos, que respeita inclusive o direito dos demais de não quererem ouvir minhas posições ou lutas, e ainda sim livremente expô-las na praça: basta entrar ou não entrar nesse Blog. Afinal, participar da comunidade humana precisa do exercício da conversação, ouvir e falar, expor-se ao julgamento público assim como julgá-lo. E ainda que não seja ouvido, é um dever dizer o que penso e o que acho da barbárie que estou envolvido, no intuito de alertar a todos das armadilhas diárias da convivência, mesmo sabendo que pouco posso fazer e poucos vão ouvir. Não faço apenas as coisas que podem dar certo, mas faço tudo que considero certo, ainda que o resultado seja duvidoso ou nenhum.

Dos exemplos a não serem seguidos

Pouco se aprende com os bons exemplos, pois que é difícil de serem seguidos, senão pelos bons que são poucos; devemos nos valer dos maus, cuja lição é mais acessível, mais presente, mais próximo. Todo dia, todo momento, toda ocasião, toda conduta dos outros adverte, aconselha, mostra o que evitar, o vergonhoso, o errado. Aquilo que aborrece ou indigna impressiona e desperta mais a sensibilidade do que aquilo que agrada. A humanidade se corrige ao avesso, mais por desacordo do que por acordo, mais por divergência do que por semelhança, mais aprende o que evitar, do que aquilo que seria mais apropriado fazer. Assim, antes que buscar lições nos bons, que são raros de serem avistados e de difícil realização por pessoas comum imitar, é preciso perceber o que ser evitado para não ser odiado ou desprezado. O lado bom do lado mal é que se percebe aquilo que nos desagrada e desagrada a todos, o que, se não impede de se realizar maldades, porém ao menos se pode tentar entender a faceta maldosa. Confesso que o que vi e sofri na minha educação é tudo coisa a ser evitada, nunca seguida; aprendi mais a repudiar o errado do que a amar o certo, que em boa parte das vezes parece incerto ou duvidoso. Cresci aprendendo a apreciar mais a ser conveniente do que honesto, ser cordial do que justo, ser útil do que ser bom. E se hoje nem sou cordial, nem conveniente, nem útil, e minha honestidade, bondade e justiça possam ser coladas sob suspeita, o fato é que a grande lição que tiro da história humana é que nada se aprende de certo, mas com certeza se percebe exatamente o que não se deve fazer. Nem os antigos, nem os mais velhos podem ensinar o certo apropriado para o momento, que deve buscar seu próprio caminho, procurando apenas não cometer os mesmos equívocos do passado; acertos, se houveram, já não servem para o momento atual. Não se deve buscar tanto um comportamento bom, mas antes evitar ser mal, pois há apenas uma forma de acertar (e é difícil saber qual seja), mas infinitas de errar.

Continuando no assunto imundo: os partidos políticos brasileiros

É difícil para qualquer pessoa razoável dizer qual é o pior partido político no Brasil, porque ainda que um seja uma merda, outro uma bosta, outro um excremento, outro uma fezes, outro ainda um coco, ou seja, todos fedem, o fato é que cada um, a sua forma, realiza algum tipo de mal; são de pequenas bostas que se chega à grande cagada da política nacional, qual seja, a ausência de ética, que ocorre por toda sociedade civil, mas que é mais visível na política, porque é de forma escancarada. Se não se pode afirmar qual seja o pior, apenas que todos são ruins, pode-se afirmar que o mais perigoso é o PT, o mais totalitário, mais do que o PC do B, PSOL, PSTU, igualmente totalitários, porém incompetentes. O mais fisiologista, que sempre está no poder desde o fim da ditadura, seja diretamente, seja indiretamente através de alianças, é o PMDB, que após o governo Sarney (pemedebista), entra e sai PSDB, entra PT, está lá sorridente nas fotos oficiais, espalhado pelos ministérios, impondo sua política de que é dando que se recebe, que não existe argumentos apenas barganha, assim como sua ideologia e moralidade, que tudo nessa vida tem sempre 10%. O PSDB é “diet”, “light” e sem “insight”, tenta parecer inteligente o que só é possível num Congresso repleto de ignorantes, e, no entanto, como os demais, diante do poder, mama à vontade e dá a teta do Estado para os próximos mamarem também. Os demais partidos são coadjuvantes da tragédia nacional; nenhum possui ideologia, apenas interesses. Todos tomam ou posições interesseiras que servem aos interesses políticos e econômicos daqueles que supostamente representam, ou posições erradas, mesmo quando pensam agir imbuídos de boas intenções, o que a rigor não existe entre deputados e senadores: o mais longe que conseguem pensar é nas próximas eleições. Fazendo uma hierarquia perversa de acordo com o mérito negativo dos nossos políticos, diria que o mais perverso é o PMDB, o mais perigoso é o PT, aqueles que dão mais asco são os pequenos partidos, porque ou são de ideologias esdrúxulas, ou a maioria são siglas sem significado algum e muitas se alugando para os demais. O PSDB é o mais irresoluto, o mais sabonete. O DEM é algo em extinção e que poucos sentirão a falta. O PDT deveria ter sido enterrado junto com o seu fundador.
O fato é que se há algo pouco confiável são os partidos políticos, partidos sem perspectivas ou projetos políticos, apenas planos e estratégias de obtensão do poder; todos com uma retórica que fala tudo que o eleitor quer ouvir sem dizer como fará, que consulta os institutos de pesquisas antes de tomarem posições. Partidos que apenas propagandeiam promessas falsas, querendo parecer honestos ao denunciarem as desonestidades alheias, querendo parecer justos e participando na confecção de leis que dá mais regalias aos políticos e mais deveres e impostos ao cidadão. Partidos que depois de eleitos nada fazem senão jogarem fora as promessas e alardeando a culpa na legislatura anterior, no antigo, que herdaram dívidas e confusão, que não têm como arrumar (sic!) tudo num mandato, e lá estão eles em campanha, cobiçando mais um mandato, onde continuarão reclamando de coisas que estão em suas mãos mudar, mas que a rigor ninguém quer mexer. Nenhum partido existente vale qualquer coisa, são trampolins para ambiciosos obterem o Estado e governá-lo com seus cúmplices. Nenhum deles tem posições claras sobre a liberdade dos homens, sobre a democracia ou a república, e se posicionam segundo acreditam que a opinião pública deseja, oscilando como ela; estão repletos de palavras de ordem genéricas, suficientemente amplas para parecer nobres, porém sem efetividade alguma na realidade diária de todos nós. Esses partidos políticos medíocres criam leis draconianas para impedir que novas forças políticas surjam, ou mesmo novos partidos: não querem dividir o botim que realizam no Estado repartindo-o entre mais partidos políticos. Eis o motivo porque sou obrigado a anular meu voto em todas as eleições, visto que não tenho direito de me abster: não quero dar poder, emprego, mordomia para parasitas que só querem aumentar o seu poder, dar emprego para a parentada, viajar pelo mundo à custa do Estado. Naturalmente, essa mediocridade política só existe porque os brasileiros são súditos muito antes de serem cidadãos, com uma formação não apenas incompleta, mas precária e medíocre, que não consegue nem ao menos entender o que é altruísmo, quanto mais praticá-lo, possuindo apenas uma visão parcial, limitada e medrosa, se colocando sempre como vítima de forças da realidade que magicamente acredita tudo dominar, sem se perceberem como agentes da construção do real, e não apenas passivos em relação ao poder, do qual se entendem como vítimas incapazes de mudar, afinal, mudar para onde, mudar por que? Um vergonhoso sentimento de inferioridade aninhou-se e impera no solo brasileiro, do qual quem mais tira proveito são os políticos, ainda que não sejam os únicos responsáveis, visto que eles próprios sofreram a mesma educação medíocre que eles são incapazes de mudar.
Será que não poderia, algum dia, ocorrer de existir pessoas ou partidos razoavelmente descentes, portadores de ideais e propostas políticas, antes que apresentar desqualificadores sobre seus adversários, ou promessas por práticas administrativas honestas e eficientes? Que o desejo seja legítimo, a esperança deve ser pequena, visto que poucos se dispõem a participar da política nos dias atuais, mesmo porque, ainda que a política possa trazer poder e força, raramente traz respeito, o que se não acaba com a força, aniquila com certeza com o poder. Todavia, como somos humanos, seres que podem plasmar novidades, tudo é possível, ainda que nada seja certo em política. Até o momento, nada avisto de descente na política brasileira, uma triste repetição do mesmo, apenas com novas siglas, nem vejo nos pretendes conhecidos aos postos políticos alguma qualidade meritória, apenas a ambição e a petulância de saber o que é certo para os demais, possuindo em sua maioria a profundidade política tão rasa como a grama que apresenta para o rebanho pastar; verdade que não se morrerá de fome, mas se deixará de comer muitas outras guloseimas. Nem plantam as árvores que demoram anos para darem frutos, mas que são os alimentos fundamentais para desenvolver não apenas o corpo, mas o espírito. De qualquer modo, o que se vê é que as plataformas políticas dos partidos tendem a ser tão genéricas e uniformes para não desagradar ninguém, que findam todos nivelados por um conjunto de palavras de ordem das quais poucos discordam, porém sem lhe especificar em nenhum momento o que se entende por tais armadilhas semânticas cheias de significados dúbios e ambíguos. Ora, todos os partidos políticos defendem uma educação de qualidade, é de se perguntar, então, por que não temos nem ao menos uma educação decente, visto que aparentemente ninguém é contra? É que nada sabem do que é educar, muito menos saberão o que é educação de qualidade; foram todos mal educados. Enfim, todos são favoráveis ao que o senso comum deseja, só que o povo sem saber como realizar tal empreitada, designa através dos votos aqueles que dizem que sabe como fazer, e quando lá estão de posse do poder, falta-lhe o conhecimento necessário, para essa ou para qualquer outra coisa que tenha prometido resolver. Na verdade, nossos políticos sabem pouco, tanto quanto qualquer um, mais sem a sabedoria comum, que não se mete no que não sabe, quando obtém o poder, se cercam de sabidos que sempre iludem os incautos e desconfiam dos sábios.
Posso eu, pode alguém, mudar a medíocre realidade partidária brasileira? Qualquer um pode, o problema, no entanto, é mais profundo, quem quer se sujar com a política? Ou ainda mais interessante, supondo que se queira fazer alguma coisa menos estúpida e um pouco mais digna, o que fazer? De minha parte, acredito que o novo na política surgirá de fora dos partidos políticos tradicionais existentes, ambicionando nem tanto um cargo eletivo, mas lutando por princípios e posições políticas, e terá como bandeira a questão ética, uma bandeira pela ética pessoal e coletiva, empenhando-se mais em estabelecer práticas humanas do que leis coercitivas para direcionar o comportamento das pessoas; mais procurando entender os problemas do que apresentar mudanças legislativas, que apenas corrigem coisas mal feitas, e que precisariam ser refeitas. Não são dos políticos profissionais ou dos pretendes a governantes que se deve esperar algo diferente, muito menos qualquer tipo de solução: os mesmos são parte importante dos problemas, mas apenas da sociedade civil, quando consciente de sua capacidade instituinte. Eis porque minha esperança é pouca e minha felicidade difícil.

P.S.: Ainda que os partidos políticos citados possam se sentir ofendidos, visto que a verdade muitas vezes ofende, os partidos não citados podem se sentir mais ofendidos ainda, na medida em que seriam considerados tão ruins a ponto de não merecem nem menção. A insignificância política dos mesmos não permite que se gaste espaços com eles, logo, não é uma questão pessoal, apenas o usual menosprezo que impede até mesmo denominá-los. Não me são indiferentes; se o fossem, nem menosprezo sentiria, apenas acho desnecessário falar das pequenas bostas quando há toda uma diarreia imunda ocorrendo na política nacional.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

PT - um partido totalitário

O Partido dos Trabalhadores, vulgarmente conhecido como PT, se algum dia foi dos trabalhadores, hoje não é mais, é dos deputados, senadores, vereadores, prefeitos, governadores e funcionários públicos, que, se sabe, nunca trabalham (ou só trabalham para si próprios, o que é pior ainda); todos com fortes relações empresariais, empresários prontos a financiar campanhas e ganhar obras. PT se revelou agora um partido dos terroristas, ainda que se digam ex-terroristas, que dominam suas entranhas e as esferas do poder, pessoas que no passado mataram, roubaram, sequestraram, ou tentaram, ou assim quiseram ainda que pouco fizessem, e que, contrariamente ao que afirmam, não lutavam pela democracia, mas para implantarem uma ditadura do proletariado, um regime totalitário como da Coreia do Norte. Não há prova maior do domínio dos terroristas no partido do que a forma como procederam e procede com relação aos bandidos condenados pela mais alta corte do país: acusam a justiça de injustiça, enfim, desprezam as instituições democráticas, e tentam permanecer no cargo até o último segundo, sugando tudo que podem do bem público, da república, da democracia. Esses bandidos condenados junto com seus subjugados ainda impõe que o ônus dos seus crimes seja pago pelos membros do partido, ou seja, são todos cúmplices! São companheiros enquanto criminosos; não há um acordo de cavalheiros, mas de canalhas, a fidelidade da cumplicidade dos bandidos. PT significa um partido totalitário que tenta limitar o poder do ministério público, do judiciário e da imprensa, sendo que suas lutas mais significativas é para que o Estado, aparelhado pelo partido, tome conta (não no sentido de bem cuidar, mas de bem explorar) de tudo e de todos, e que não tenha sua atuação fiscalizada, nem seus crimes quase diários punidos: terrorista, como se sabe, sempre acredita que está acima do bem e do mal, e que pode cometer uma ou várias canalhices em nome do “bem” que supostamente almeja, ou seja, sua eternização no poder e a aniquilação dos inimigos. O fato é que o PT é um partido perigoso, cujas lutas principais se resumem em conseguir regalias para si próprio ou para os lugares onde acredita estar encastelado, usando a barganha ao invés de argumentos para convencer, não a população, mas os demais deputados e senadores. Um partido que quer controlar os meios de comunicação e gasta tanto em propaganda, ou melhor, publicidade; um partido que quer ter controle das informações que chega à população, que não confia no bom senso das pessoas e que acha que o povo precisa de tutela, apenas acreditando que há más intenções em todos aqueles que lhe opõem, ou que discordam, ou que simplesmente pensam diferente. Enfim, PT para mim significa um partido de tolos, bandidos em potencial, que se aproveitam da democracia para tentar impor sua ditadura totalitária. Se há algo que fede como merda, mas que não tem nome feio suficiente para designar, é a ética desse partido totalitário que quer viver à custa do trabalho do povo; eis mais um bom motivo para não trabalhar, pelo menos o governo não extrai de mim seu sustento, pois que o Estado é sócio de todos, do trabalho e do capital, sempre arrancando uma parte do nosso esforço, para o seu esforço de continuar vivendo do nosso.

Nomes inapropriados para coisas impróprias

Todas as comissões do Congresso Brasileiro recebem nomes equivocados para o que fazem ou pretendem fazer. E não poderia ser diferente, com deputados e senadores sabidos, antes que sábios, astutos antes que prudentes, defensores de interesses miúdos ou mesquinhos e sem entenderem o que é bem comum, as coisas, as instituições, as leis, assim como os nomes, servem tão somente para esconder intenções pouco honestas. A comissão de ética deveria mais apropriadamente ser denominada de comissão de falta de ética, pois pouco se preocupa com a ética dos deputados e senadores, apenas com aqueles que faltam com ela e são pego na falta, uma vez que um deputado ou senador pode não faltar com a ética (ou melhor, não se ter descoberto a sua desonestidade), mas nem por isso sejam éticos: ainda que não roube, mate ou minta, pode nada fazer para beneficiar o país ou pior ainda, fazer leis para se beneficiar, ou não acabar com leis que o privilegiam em detrimento dos demais. A comissão dos direitos humanos deveria ser chamada de comissão do satanismo após a eleição do seu ilustre presidente. E a comissão de constituição e justiça deveria ser nomeada de comissão de injustiça e de destruição da constituição, que ainda que não seja grande coisa, me parece melhor que nada. Nessa comissão de justiça abrigam-se sorrateiramente deputados bandidos, quadrilheiros condenados no mais alto tribunal da nação, que querem acabar com o poder judiciário, submetê-lo à tirania do Congresso Nacional, e impedir que o tribunal continue condenando os bandidos que se abrigam no seu interior, ou impedir que esses bandidos continuem a manipular leis para satisfazer seus interesses, ou fazer leis contra a constituição. Entre outros motivos pelo qual não saio desse país, é que sinto muita vergonha, na medida em que, como afirmam, o Congresso representa o país, esse país é uma vergonha, e não quero ser confundido com bandido e quadrilheiro.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Explode merda para todo lado

Que horror o terror matando aleatoriamente pessoas. Não inocentes, porque inocente ninguém é, e todos têm alguma parcela de culpa pelas calamidades humanas, mas indivíduos de qualquer idade, qualquer sexo, qualquer cor, qualquer classe, qualquer um. O ódio aos demais e o amor à causa são ingredientes suficientes para deixar uma pessoa alucinada, ou pior, aloprada, pronta para fazer coisas pequenas para parecer grande. Posso aceitar as pessoas morrendo por causas, mesmo que tolas, mas não posso, não digo aceitar, nem mesmo entender pessoas matando, seja porque motivo for. Da violência emerge apenas mais violência; não apenas nada se constrói, tão somente se destrói, principalmente as parcas esperanças na humanidade. Que queiram acabar com o tirano ou com a tirania, por mais louvável que se possa considerar essa luta, não se pode tiranizar a todos para tanto, gerando apenas medo e desconfiança que reina tiranicamente nos sentimentos contemporâneos. Esse terror estúpido que virou moda e está se tornando banal, explodindo gente para todo lado, gerando medo em toda parte, não pode ser vencido com mais controles das pessoas, nem com penas mais duras ou mesmo apenas com a “inteligência” dos serviços secretos; o que vence a violência não é a contraviolência, mas a coragem das pessoas, a não submissão a violência, o espírito de amizade, o não estigmatizar etnias e crenças, a aceitação de todos numa comunidade internacional, onde só os violentos serão estigmatizados. Controles e vigilâncias só controlam as pessoas comuns que são de pouca ou mesmo nenhuma ameaça aos demais. E o que diferencia uma pessoa comum de uma pessoa com mente assassina, o que nenhum instrumento de vigilância capta? Pessoas comuns jamais imaginariam que uma panela de pressão pudesse se tornar uma bomba antes do ocorrido em Boston. Em pessoas comuns, nada se transforma em arma, em pessoas com mente assassinas tudo pode ser utilizado para matar, até o cadarço do sapato.
Algo muito sério está acontecendo nos valores dos homens, onde a vida vale cada vez menos, onde se mata cada vez mais com menos esforço, menos pruridos e sem dignidade. A civilização está gerando uma barbárie, na qual as pessoas se sentem libertas das amarras da civilidade, dos laços fraternais e prontas a matar por qualquer porcaria, um par de tênis de grife, uma religião, um ódio qualquer, uma indiferença profunda com a existência alheia. Um sentimento de incapacidade de mudar seja lá o que for, libera muitos a buscar o justo, o seu quinhão, a verdade, a divindade pelos meios que acha certo e a fazer a justiça com as próprias mãos. Que a pessoa que explode crianças e pessoas que apenas estavam no local da explosão, seja uma ameaça a todos é inegável, muito diferente é achar que disso decorre que a mesma possa ser punida, ainda que se aplique a pena de morte, ou a prisão perpétua, ou outra pena qualquer. Isso com certeza satisfará o sentimento de vingança que a maioria considera legítimo diante das injúrias praticada, mas justiça alguma será feita, mesmo porque não há justiça possível nas ações que são eminentemente irreversíveis, ou seja, tudo que envolve a morte. Para mim, tais pessoas deveriam ou ser perdoadas se mostrassem arrependimento, ou serem expulsas da comunidade humana, deixarem soltas sem que ninguém lhes dirigisse a palavra ou atenção, visto não serem dignas de confiança. Jamais sujaria as mãos para tocar tais pessoas e poderia até dar comida para não morrerem de fome, mas não palavras ou atenção.
Enfim, o terror está vencendo, a desconfiança generalizada está se disseminando por toda parte, cada vez mais somos mais vigiados, revistados, despidos de nossas coisas, porque suspeitam que possa se transformar em arma. Todo desconhecido se torna um perigo em potencial, mais do que alguém com quem criar laços de amizade. Será que esta pessoa que está na minha frente, ou ao lado, não é alguém pronta a cometer alguma selvageria? Será que aquele vizinho meio esquisito não é um terrorista disfarçado? Nada prova mais a vitória do terrorismo do que o medo disseminado, paranoico, que impera cada vez mais no coração dos homens amedrontados, a tal ponto que seremos em breve obrigados a entrar em aviões, ônibus, metrô, estádio, shows, casas noturnas nus, não para apreciarmos a nudez ou a beldade humana, mas para nos certificarmos que a pessoa não porta maldades. O fato é que tem vendedor de panela de pressão agora que está desconfiando de qualquer um que compre uma panela; se comprar duas, com certeza é terrorista.

Democracia à brasileira: um prato indigesto

Poucas coisas desagradam tanto o meu paladar como o tirânico horário eleitoral gratuito. Entre outras coisas, dá gases e é uma ofensa à inteligência, onde se faz publicidade de realizações torpes, mas que jamais propaga qualquer ideia razoável de política: há apenas a grande maioria dos políticos querendo se qualificar, desqualificando seus adversários, sendo um universo tão pouco confiável, que, é claro, poucos respeitam os desqualificadores ou os desqualificados. Uma tirania que nos obriga a escutar ou assistir ideias tolas, para não dizer estúpidas, propaganda enganosa e mentiras deslavadas, como se o direito de algum idiota querer dizer suas idiotices, torne obrigatório todos termos que escutá-lo. Além disso, há a tirania do voto, aquela bobagem que somos obrigados a fazer a cada dois anos, onde se gasta muito dinheiro em coisas que acabam no lixo. Nada mais antidemocrático que ser obrigado a votar, a não poder manifestar sua opinião política e seu desagrado de não querer participar dessa imundice que os políticos fazem. Afora ainda o fato que o voto é eminentemente aristocrático e não democrático, como se ilude a grande maioria, na medida em que se escolhem os melhores, aqueles que acreditam que tem mais idoneidade de que os demais, e o princípio democrático é o sorteio entre todos os cidadãos iguais, igualmente aptos para governar ou ser governado, e ninguém é melhor ou superior a ninguém para exercer qualquer função política. A escolha de pessoas pelo voto foi uma criação aristocrática que pressupõe uma desigualdade inerente entre as pessoas, havendo pessoas melhores e piores, o que é uma percepção antidemocrática. Democracia tem sido sempre algum tipo de tirania da maioria sobre a minoria, havendo inclusive um excesso de preconceitos democráticos disseminados na cultura brasileira, que acredita que tudo pode ser resolvido pelo voto. A verdade, por exemplo, não é algo que se delibere por votação, mas produto de uma investigação. O certo também não. A única coisa que se estabelece por voto são os interesses majoritários. Interesses não são certos ou justos, é apenas manifestação de vontades particulares ou grupais. As leis são tão somente a manifestação da vontade geral, que nem sempre acerta, nem sempre é justa, e por vezes, nem é clara ou honesta, e podem ser estabelecidas por votação, quando se tem pressa em estabelecer uma norma jurídica, mais do que procurar entender o problema; muitas vezes o problema está em querer estabelecer normas para todos ou regulamentar a vida das pessoas dentro de um padrão comum num universo de pessoas distintas.
O que é realmente democrático, aceitar as diferenças de pensar, sentir, dizer e agir, respeitar as escolhas pessoais antes que delimitá-las ou nivelá-las, dar espaço para as minorias se manifestarem e existir, antes de submetê-las às vontades majoritárias, aqui no Brasil nem ao menos é entendido, ainda mais aceito. Aqui a maioria decidiu a minoria tem que submeter. Qualquer tentativa de descriminalização de práticas minoritárias, que deveriam estar sob a alçada da consciência individual (e nunca sob arbítrio da maioria), como jogo, drogas, aborto, eutanásia é sumariamente proibido pela maioria, que se acha no direito de determinar o que é certo e errado para todos, e nada mais tirânico e antidemocrático do que isso. Enfim, a única coisa que restou de democrático nessa fétida democracia brasileira, que ainda não foi eliminada totalmente, é o precário direito de expressão, ainda que não forneçam meios para se expressar, sejam os meios mediáticos, sejam os recursos retóricos, findando, como ocorre com a maior parte dos direitos, sendo uma liberdade de direito, mas não de fato. É claro que qualquer um pode ir à internet e gritar para o mundo, mas como está todo mundo gritando, só poucos escutam os gritos, além do fato que virou uma banalidade protestar ou falar mal de tudo e de todos. Eis porque, daqueles que escutam, poucos levam a sério o que ouvem. Restaria ainda a possibilidade de mudar de país, o que não faço por preguiça e comodidade, pois ainda que a democracia brasileira seja tirânica e tola, como as leis não são sérias, há tanta brecha na legislação, que qualquer um faz (ou não faz, como prefiro) o que quiser. Naturalmente, isso resulta numa sociedade violenta e cara, mas como a violência pouco me atinge porque pouco tenho, e a maior parte do encarecimento social tão pouco chega perto de mim porque pouco quero, vivo tiranizado pelo horário eleitoral gratuito e pela obrigatoriedade de votar, mas no mais, como os governantes nem me notam (assim como a maior parte de nós), muito menos o Estado, risco nenhum corro. A rigor nem votar, voto, pois não preciso comprovar nada para ninguém, já que nem quero mamar nas tetas do Estado (ser funcionário público, pegar empréstimos estatais, bolsas, prestar serviços ao Estado etc.), muito menos pretendo sair do país, nem pretendo fazer empréstimos, e sei lá mais o quê se exige comprovação de quitação com a (in)justiça eleitoral, aliás, nem sabem que não tenho título de eleitor. Verdade que tiranias podem matar não apenas perseguindo as pessoas, mas sendo indiferentes aos tiranizados, porém, no meu caso, a indiferença estatal e governamental para com todos é útil e benéfica, essencial para a minha sobrevivência. O fato é que ainda que o Estado e a sociedade brasileira queiram tomar conta de tudo, pouco tomam conta de qualquer coisa, e se não prestam atenção em suas imensas cagadas, como notarão algumas pequenas bostas feitas pelos pacatos cidadãos?

sábado, 20 de abril de 2013

A fedentina da justiça

Dentre as inúmeras incoerências humanas, a justiça merece destaque pelas injustiças que vem promovendo nos ingênuos humanos. Contrariamente ao que afirmam a maioria dos pensadores há milênios, não é porque temos o sentimento de justiça, ou a desejamos, ou mesmo por sermos justo, que se criou a justiça, ou por causa de bons sentimentos, ou porque os bons pretendem limitara o poder dos maus, mas porque se têm medo se sofrer injustiças. Não são para as virtudes que se deve olhar para entender a origem da justiça, mas essencialmente para a sua falta, além dos vícios.
Foi graças às pessoas más que se criaram as leis, foi para conter a maldade ou a ganância que elas foram inventadas. E não necessariamente foram as pessoas boas que as fizeram, pois mesmo os maus não querem sofrer injustiças e têm interesse que haja justiça, apenas se acham no direito de eventualmente não praticá-la. Enfim, a justiça foi inventada porque as pessoas são injustas. Uma justiça de homens maus nunca pode dar em boa coisa.
Fossem os homens bons, honestos, não violentos e justos, então, a lei seria desnecessária. E a razão porque os homens não são assim é simples, basta por a mão na consciência e saberá quantas injustiças se escondem em nossos desejos. Ora, o certo todos sabem, tanto que só realizam as coisas erradas escondidos, clandestinamente. E assim, toda grande injustiça social decorre apenas das pequenas injustiças individuais, e jamais se consertará qualquer coisa no mundo, sem antes de consertar a si.
O fato é que, por simples e fácil saber o que é certo, não acarreta que seja fácil e simples praticá-lo, pois ainda que seja algo desejável de receber, poucas vezes parece conveniente realizá-lo. Por exemplo, ainda que o certo seja dizer o que se pensa, por vezes é preferível calar, ou então falar diferentemente do que se pensa. Assim, por desconfiança mútua, por nos acharmos incapazes de ter boa vontade de praticar o certo, e que o interesse próprio sempre pode prevalecer sobre o interesse comum, que criamos leis coercitivas para obrigar a todos, ou pelos menos a maior parte, não a fazer o certo, mas a cumprir a lei; não é das pessoas propriamente que se espera a justiça, mas do cumprimento da lei pelas pessoas. E os que não se contém e descumpre a lei, punição.
Afinal, a justiça é apenas o primitivo sentimento de vingança disfarçado, pois quando se sofre alguma injúria, deseja-se ao injusto o pior dos castigos. Eis porque muitos acham as leis brandas, já que o desejo majoritário é que o injusto morra. Não se deseja discutir o que é justo ou apropriado para aqueles que mais seguem suas inclinações do que sua razão, e não cumprem o dever da lei, querem apenas punir a pessoa por isso. Entretanto, o mal sofrido pode ter origem diversa, da ignorância, do medo, do equívoco, da insensibilidade e até mesmo da maldade; a punição, a vingança, se for eficaz, o que não acredito, só se aplica à maldade. Punir a ignorância é crueldade, visto que a ignorância já é o pior castigo que alguém pode sofrer. Punir o medo, o aumenta, não o elimina. Punir o equívoco é inútil, pois ninguém escolhe se equivocar, é algo involuntário que ocorre a todos. Punir a insensibilidade apenas aumenta a mesma. Já a maldade pode justificar a punição e a vingança, mas dificilmente a legitima.
Na realidade toda injustiça começa ao se querer estabelecer a justiça: via de regra, os mais fortes imporão aos mais fracos seus critérios, seus princípios, mas principalmente sua vontade. E é do exercício da força de uns sobre os outros, que surge a tola noção que se pode estabelecer uma justiça entre fortes e fracos, ou que haja um exercício legítimo da força, quando a força, em si, é violência, ou seja, injustiça. E como, ainda que fraco, um homem é um homem, é capaz de subjugar a força, ou enganá-la, os conflitos dos homens se estendem pelos séculos.
Desconsiderando a hipótese de alguma má índole de origem biológica, suponho que as mesmas se construam culturalmente, e assim como viemos formando índoles boas e más no decorrer dos séculos, o fato é que fundamentalmente se plasmam índoles ignorantes, fracamente ilustradas, deficientemente educadas, aptas apenas para captar tudo que o desejo lhe apresenta e não olha para nada. Construindo pessoas justas haverá justiça, do contrário, ainda que não se plasme necessariamente pessoas injustas, as mesmas agindo apenas atrás dos seus interesses, faz de quase todos pessoas interesseiras, que é o que mais promove as infindáveis injustiças que se sofre e que se pratica cotidianamente, das menores às maiores ações promovidas.
Mas o justo não pode ser estabelecido por leis; ele se estabelece em cada momento e em cada circunstância de forma diversa, eis porque as leis fedem ao querer estabelecer o certo para todos: cria o errado para muitos. Desse errado, logo se passa a ser considerado ilegítimo, para depois ser injusto, e por fim punido. De um lado a lei pressupõe uma pessoa que a entenda e que a cumpra, mas desconfiando do entendimento e da obediência de todos, estabelece também punição para os desobedientes. Por outro lado, a lei que estabelecem direitos e deveres pressupõe que todos desejam os mesmos, ou que é necessário a todos. Por fim, a lei pressupõe que os homens são incapazes de fazer o certo e o justo sem a coerção da espada que lhe acompanha. As três pressuposições estão equivocadas.
Para começar, considero a premiação mais eficaz para induzir alguém ao certo do que a punição. Deve-se contar antes com o interesse da pessoa, do que com a sua boa vontade, pois ainda que a mesma possa ser desejada, não deve ser esperada; o que move a todos são os interesses, e mesmo a boa vontade, carrega consigo algum interesse. Além disso, se pressupor que as pessoas entendam e cumpram uma norma, a mesma deixa de ser norma: o que falta é entender a norma, e não punir aqueles que não entenderam, visto que qualquer pessoa normal, se entende o espírito da lei, a necessidade e a justiça da mesma, raramente a desobedecerá. Por fim, direitos e deveres me parecem um arcaísmo feudal, de senhor e escravo. Um homem livre deve seguir suas próprias leis, não se submeter às leis externas e criar leis comuns.
Como obter pessoas justas antes de construir tribunais de justiça é uma questão elementar, é só usar a educação para ao invés de deformar os homens para serem tão somente profissionais e consumidores, e transformá-la em formadora de cidadãos da humanidade e habitantes do planeta. É óbvio que não se pode ser ingênuo que isso impedirá a ocorrência de qualquer ato injusto. Há pessoas patologicamente más e injustas que educação alguma conserta. Pessoas mesmo bem educadas podem se equivocar, podem ter ignorâncias para algumas circunstâncias ou em alguns momentos. As pessoas também podem se iludir e se enganar. A grande diferença entre uma pessoa formada para ser justa, daquela deformada para reivindicar justiça dos outros, é que a primeira tem a possibilidade de perceber o erro e agir para o seu acerto, se sente parte do processo da realização da justiça, além de recepcionar as ações alheias não como injúrias a serem punidas, mas como ignorância a ser remediada. Enquanto a segunda apenas sabe alimentar mágoas sobre supostas injúrias recebidas, e requer a força para obter alguma compensação.
Para mim a justiça de retribuir o que se recebe só é válida quando se retribui o bem, nunca o mal. O mal jamais se retribui, pois o mesmo só se anula no exercício do bem, e jamais com a eliminação de pessoas supostamente más. Quanto mais as pessoas são boas, menos pode o mal agir, e quanto mais as pessoas são mal formadas, mais o mal pode reinar, principalmente de forma involuntária.
Devemos ter em conta que a justiça tem sido sempre uma coisa que interessa aos fracos, pois como os fortes não se submetem, raramente sofrem injustiças. Mas, podem praticá-la, não por alguma maldade intrínseca, porém ao seguirem sua vontade institui seu interesse aos fracos. Há os que condenam a existência dos fortes, entretanto, se for para condenar alguma coisa, condenem-se os fracos, pois a força só pode ser exercida sobre a fraqueza, enquanto a força contra outra força se equilibram. O que faz pender a bandeja da justiça para os fortes, não é apenas a ação dos fortes, mas também a submissão dos fracos. E os fracos ao invés de buscarem ser fortes, querem limitar o exercício da força, que faz que a força extrapole os muros de contenção aqui e ali; nada que é forte tende a ficar inerte. O fraco tem medo de tudo e tudo quer proibir, limitar, controlar, submeter, procurando uma segurança inexistente, como se pudesse conter o desenvolvimento humano, a corrente dos movimentos históricos, os pulos do conhecimento e da ousadia de agir de qualquer pessoa forte, que tem coragem para saber e não tem preguiça para empreender. E por mais que se faça, o forte fará a sua justiça e não se submeterá à justiça dos fracos. Não é tanto que a justiça do forte seja tirânica, mas antes não se submetendo a nenhuma injustiça, só realiza aquilo que acha certo, e que pode ser considerado errado pelos fracos.
Todavia, só há igualdade quando nos fazemos iguais, não quando queremos que as pessoas sejam homogeneizadas pelas leis. Só há liberdade quando se exerce a liberdade; ela não é um direito, é uma opção pessoal que não se dá ou se tira. Assim como só há justiça quando se busca ser justo, mesmo que nem sempre se consiga. Leis externas aos homens, estabelecidas em constituições, ainda que possa ser considerada uma conquista da civilidade, é antes um atestado de incompetência educativa, para ensinar a agirem de forma ponderada, com leis próprias quando se trata de sua vida e seus interesses, e segundo leis de respeito mútuo, quando relacionada aos demais.
Mas, enfim, pode a humanidade algum dia ser justa? Ou talvez seja melhor perguntar, pode a humanidade deixar de ser injusta? A essa questão cada um deve dar a sua resposta. De minha parte posso garantir, antes de ser justo, procuro não ser injusto, pois achar que se pode ser justo sempre, impede de ver as injustiças que se comete involuntariamente, e procurando não ser injusto, se não sou justo, ao menos cometo menos injustiças, ou tenho essa esperança.... ou ilusão.....

sábado, 13 de abril de 2013

Declaração Universal dos Deveres Humanos

É com certo tédio e asco que constato que desde a Revolução Francesa até hoje tem se tentado instituir os Direitos Humanos. Deixando de lado as boas intenções que isso envolve, e o fato que aqui ou ali haja maior ou menor respeito aos mesmos, o fiasco na sua plena obtensão se deve essencialmente por ser o direito um fim fácil de entender e mais fácil ainda de desejar, todos querem, sem perceberem que todo fim necessita de meios para serem obtidos. Ou seja, um direito aqui exige um dever ali, não havendo direitos se não houver antes o cumprimento dos deveres: antes que ausência de direitos, que é uma consequência, a humanidade sofre por descumprimento dos deveres. Enfim, as pessoas precisam ser educadas para entenderem os deveres, assim como desejá-los, antes que sair por aí bradando por direitos, que muitas vezes são tão somente privilégios. É preciso aprender que há beleza, prazer, felicidade e satisfação no cumprimento dos deveres, do contrário, podemos caminhar para uma triste tirania dos direitos.
Assim, no intuito de contribuir com esse processo educativo da humanidade para os deveres e do alto da minha insignificância digna, venho propor essa singela Declaração Universal dos Deveres Humanos, esperando com isso fornecer instrumental necessário para se iniciar um processo educativo de crianças e adultos, menos infantil e que atende apenas os desejos, por uma educação madura que desenvolva a responsabilidade por si e por todos os demais, como membros da humanidade. Antes de cobrarmos o cumprimento dos direitos, deve-se exigir a realização dos deveres, só assim os direitos reinarão.

1. Todo ser humano tem o dever de preservar a vida humana, animal, vegetal e mineral, assim como a própria vida, não sendo um parasita social, esbanjador, destruidor ou porcalhão.

2. Todo ser humano tem o dever de ser honesto no que diz e nas suas trocas, não se admitindo a desonestidade nem com os desonestos, nem para preservar a própria vida.

3. Todo ser humano tem o dever de lutar e defender a justiça, a liberdade e a paz.

4. Todo ser humano tem o dever de respeitar a forma de viver, pensar, sentir e agir alheia, quando a mesma não ameace ou desrespeite ninguém, e seja realizada voluntariamente, nem esteja obrigando nada a ninguém.

5. Todo ser humano tem o dever de participar virtuosamente da vida política e cultural de sua nação, de forma a contribuir para o aperfeiçoamento e emancipação própria e dos demais. A omissão e a apatia são condenáveis como infantilidade e desresponsabilização para com a humanidade.

6. Todo ser humano tem o dever de ser fraterno, solidário, hospitaleiro e tolerante.

7. Todo ser humano tem o dever de tentar se aperfeiçoar e se esforçar por ser uma pessoa melhor.

8. Todo ser humano tem o dever de perdoar quando o outro mostra arrependimento.

9. Todo ser humano, se rico, tem o dever de ser liberal com seus bens e contribuir com a comunidade, com as artes e com as ciências; se pobre, envidar esforços para adquirir independência financeira e autonomia.

10. Todo ser humano tem o dever de respeitar as diferenças de gênero, de idade, de cor, de etnia, aspectos físicos, até mesmo as deficiências.

11. Todo ser humano tem o dever de ter a preocupação de ser bom antes de cobrar bondade alheia.

12. Todo ser humano tem o dever, na procura dos seus interesses, de medir, calcular, julgar e tentar perceber se os mesmos não prejudicam alguém ou não se contrapõem ao interesse comum.

13. Todo ser humano deve buscar a emancipação de todo ser humano, desde a mais tenra infância, criando condições para o desenvolvimento pessoal de todos.

14. Todo ser humano tem o dever de ajudar o próximo, exercitando a piedade e a caridade.

15. Todo ser humano tem o dever de não cobiçar mais do que precisa, nem desperdiçar o que tem.

16. Todo ser humano tem o dever de não matar, não mentir e não roubar como uma obrigação da racionalidade, e não apenas como um mero limite legal.

17. Todo ser humano tem o dever de procurar praticar seus deveres com tanto fervor quanto deseja usufruir seus direitos.

18. Todo ser humano tem o dever de mais do que respeitar os direitos humanos, contribuir para o seu aperfeiçoamento, envidando esforços para torná-los princípios de ação e reflexão, antes que fins interesseiros de pessoas desejosas de privilégios e regalias.

19. É dever de todos não ser uma ameaça a ninguém, seja do ponto de vista físico, moral, psíquico ou espiritual.

20. Todo ser humano tem o dever de lutar por ser justo, antes de lutar por justiça.

21. Todo ser humano tem o dever de ousar saber ou buscar a verdade, tendo coragem de abandonar antigas verdades, assim como não ter preguiça para buscar novas, pois que todo conhecimento necessita de algum esforço.

22. Todo ser humano tem o dever de fazer uso adequado do seu entendimento, buscando entender o outro, antes do que condená-lo.

23. Todo ser humano tem o dever de procurar estabelecer uma harmonia entre a vida individual e a vida coletiva.

24. Todo ser humano tem o dever de se autoeducar desde a infância até o fim da vida, buscando se conhecer melhor e fugir da ignorância, das superstições e dos medos.

25. Todo ser humano tem o dever de morrer pela verdade, pela liberdade, pela justiça e pela paz, sem com isso adquirir qualquer direito de matar por essas causas.

26. Todo ser humano tem o dever de entender que é sempre preferível sofrer o mal que praticá-lo, e que deve mais lamentar o mal realizado, que o mal sofrido.

27. Todo ser humano tem o dever de respeitar a religiosidade ou a falta de religiosidade, pois que são questões indiferentes, desde que a pessoa seja justa.

28. Todo ser humano tem o dever de estabelecer deveres para si próprio e para os demais, desde que não seja por imposição ou tiranicamente.

29. Todo ser humano tem o dever de se esforçar por sua felicidade, sem esperar dos demais sua obtensão.

30. Todo ser humano tem o dever de se esforçar com o fim dos deveres, e que tudo de certo e justo seja apreendido por exercício intelectual e criação de disposições nas pessoas, mais do que por algum tipo de obrigação ou coerção.

 
Naturalmente, ao se cumprir com os deveres humanos, os direitos humanos aflorarão espontaneamente, e a luta para a sua implantação não mais será necessária, substituindo a coerção e punição legal para o respeito do direito, pela força da inteligência direcionando a vontade esclarecida. A luta pelos fins tem que ser conjunta com a luta pelos meios, e não se pode desejar o fim – o direito, sem desejar igualmente os meios – os deveres. No mais, apenas esperar que a humanidade de um salto ético e não apenas quântico.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Da série pensamentos evacuados

Os homens, em geral, se têm em tal conta, que qualquer elogio parece merecido, e qualquer crítica parece ofensa. É que a vaidade é muita e a sabedoria pouca, eis porque as pessoas querem mais honras que as merecidas, mas ao fim se satisfazem com algum dinheiro. É claro, tudo que tem preço não vale nada.

A crise contemporânea

Afirmam que estamos em crise. Não apenas uma crise econômica, o que é usual e cíclica, mas uma crise de valores, morais, de costumes, da família, da religião, das instituições, da política, enfim, uma crise geral, ampla e irrestrita. Mas, em que momento a humanidade não se lamentou de crise, do fim de uma cidade, de uma região, de um império, de uma época, da juventude não querer seguir os antigos costumes? Estar em crise é a situação por excelência que a humanidade sempre se encontra. E nem poderia ser diferente: cada novo indivíduo que adentra ou surge nesse mundão que cada vez mais se estreita com o contato mútuo, pode engendrar novidades, questionar o antigo. Ainda que se nasça num mundo já feito, cada um de nós é capaz de inaugurar coisas que modificam tudo, até mesmo os valores. Afinal, por que as novas gerações deveriam seguir a viver segundo padrões das gerações anteriores, principalmente ao se constatar as tolices dos antigos, seus preconceitos, suas superstições e medos? Deve o novo ficar escravizado às deliberações anteriores à sua existência? Deve o homem contemporâneo se subordinar aos valores dos antepassados? Pode uma geração escravizar a próxima com suas determinações, ou não deve, ou pode, os novos vislumbrar novos horizontes e engendrar algo diferente? O fato é que só vê crise quem acredita que as mudanças não devem existir, ou acredita que qualquer mudança é para pior, ou ainda aqueles que temem perder seus privilégios ou postos sociais, ou a autoridade, o poder, ou o dinheiro. Mudar é bom, importante, necessário e sinal de algum tipo de racionalidade, capaz de perceber os equívocos passados e agir para, senão consertar os erros, procurar outro caminho onde se evita velhas receitas para problemas novos. O que sempre ocorreu e ocorre é que o novo sempre assusta, pois mesmo não questionando o antigo diretamente, impõe modificações no sentir, pensar e agir, e o que parecia sólido e estabelecido aparecem com sua face real, como algo mutável, questionável, transformável, como tudo que se relaciona com o ser humano. A única coisa imutável é a mudança, não como uma obrigação, mas como uma consequência necessária do aprendizado humano.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Minha descrença é mais profunda

Há aqueles que não acreditam em cristo, o que para mim é indiferente sua existência ou não, visto que tirando os cristãos, ninguém leva a sério esta estória de messias. Não acredito é em cristão. Naturalmente, inúmeros professam supostamente sua crença, sua fé, essa coisa meio primitiva que a humanidade carrega como um arcaísmo persistente, nesse ser, porém poucos de fato levam a sério ou a risca o que promulgou. Em primeiro lugar, a morte é um bem, nos aproxima de deus, quando os mortais se livram da carne sedenta e pecaminosa sempre a cobiçar o que não deve, ou mais do que deve, e a alma, liberta do corpo e suas nefastas inclinações, adentra no paraíso. Sendo assim, ao matar um cristão não se faz mal a ele, pois o aproximamos de deus, o que de forma alguma é um mal, a estar certa a tradição cristã. Nem fazemos mal a sua família e dependentes, sendo eles cristãos, pois todos deveriam sentir que foi uma melhora, uma ascendência da indecência humana pecaminosa que beneficiou o falecido. E o que deveriam sentir essas pessoas que perderam o ente querido? Raiva? Não! Pena! Piedade, isso é que manda o cristianismo sentir com os que praticam o mal. Mas, não! Não um mal contra outro, mas contra si mesmo, pois o assassino comete um mal contra si mesmo (ainda que tenha matado outro), e a estar certa a tradição, arderá no inferno. A morte nunca prejudica o morto. Além disso, como diz os textos supostamente sagrados, não se pode fazer mal a alguém protegido por deus. Logo, o que um bom cristão deve sentir? Pena, ser caridoso com alguém que sofrerá eternamente o mal cometido. Deve os cristãos julgar outros cristãos ou homens? Não! O julgamento é prerrogativa de deus, que pode até perdoar um assassino, desde que o mesmo mostre arrependimento. E como poderá os homens condenar se deus pode perdoar? Em segundo lugar, instrui os mandamentos que o cristão seja caridoso e que trate a todos como irmãos, mesmo o estranho, o diferente, até os adversários, e mesmo o mal deve ser retribuído com o bem, e até mesmo um bandido deve ser tratado como um irmão a ser convertido, e não um “satanás” a ser condenado. Em terceiro lugar, manda que se morra pelo certo e justo, mas que jamais se mate por eles, que não se deve matar nem em legítima defesa, pois o único que pode tirar a vida é deus. Poderia continuar a enumerar outros inúmeros princípios cristãos e revelar como os autointitulados cristãos nem de longe cumprem, ou querem cumprir, ou até mesmo pensam a respeito; acreditam que ir na igreja, engolir hóstias, ou rezar é suficiente para serem considerados crentes. Quando vejo quase todos cristãos temerem a morte, saírem por aí a condenar os comportamentos diferentes dos seus, a quererem proibir os demais de seguirem suas crenças, a professarem e praticarem o que acreditam, condenando tudo como obra de satanás, vejo que cristo é apenas o pretexto para exercerem sua arrogância de saberem o que é certo para todos, ou pior ainda, consideram que sabem o que deus quer e são seu porta voz. Deus mandou serem tolerantes, mas a maioria dos cristãos é intolerante; deus mandou não matar, mas a maioria dos cristãos acha que pode matar nas guerras, pela polícia ou em legítima defesa, ou por alguma causa “justa”; deus mandou ser caridoso, não dando esmolas, mas ajudando quando possível, sendo tolerante quando necessário, sendo justo não julgando, mas entendendo; deus ordenou que sejam piedosos até mesmo com os injustos e os maus. Enfim, o que a mensagem de cristo diz e o que os homens fazem, interpretam, deturpam, pervertem, subvertem e sei lá que mais coisas feias fazem com uma mensagem, tola, utópica, é verdade, mas que não deixa de ter alguma civilidade, é algo que deveria ser levado mais a sério pelos cientistas sociais. Eu que não sou cristão fico apavorado com as interpretações que fazem do texto bíblico, que por mais tolo que seja, as pessoas conseguem torná-lo ainda estúpido.

sábado, 6 de abril de 2013

O pastor deputado, o deputado pastor, ou nem um nem outro, apenas o ofensor Marco Feliciano

O Sr. Marco Feliciano é uma figura interessante. Quando expressa seus preconceitos e ofende os demais cidadãos, se defende ora na liberdade de religião, ora na imunidade política, arrogando-se privilégios que falsamente denomina direito de expressar sua opinião tola. Se ofende alguém ou algum setor social, defende-se alegando que fala como pastor; se é imoral, alega a imunidade parlamentar para não ser punido pela opinião difundida. Para mim, esse senhor não serve nem para ser pastor, pois não evangeliza as pessoas, antes julga e condena os que professam outras crenças como satânicos e malignos, muito menos serve como deputado, pois que usa do cargo público para defender os interesses privados de sua igreja. Nem ao menos acredito que seja cristão, pois sem piedade e misericórdia condena os supostos pecaminosos, ou seja todos que não se ajoelham na sua igreja, quando deveria antes ter pena; até onde li da Bíblia, Cristo diz: “Perdoai, eles não sabem o que fazem!”, e não “Condenai, é tudo agente de satanás!”. Para ser honesto, não conheço cristãos de fato, apenas farsantes prontos a condenar e jamais perdoar as ofensas (ou supostas ofensas, pois a pessoa pode se sentir ofendida sem ter sido) recebidas; a condenar antes de ser piedoso, de cobrar antes de ser caridoso, e a prova mais concreta da falta de crença dos cristãos, quase todos temem a morte, nada mais anticristão. De resto, devo dizer que o Sr. Feliciano ofende antes de tudo a minha inteligência com sua opinião, suas posições políticas e religiosas, e com sua imoralidade de se esconder atrás de prerrogativas legais, para cometer suas ilegalidades opinativas, de usar o poder legislativo para impedir os demais, minorias ou não, de adquirir direitos para também realizar sua vida segundo suas crenças, assim como ele o faz, mas que ele quer impedir que os demais façam.